
O ano era 2018. E eu, tânia, tive a imensa honra de agradecer pessoalmente à Lia pelo tanto de criatividade, alimento para a alma e matéria para a imaginação que ela me deu quando eu era criança.
O ano era 89. Ou talvez 90. Eu, menina ainda pequena, corria de pé descalço na areia e de biquini por onde fosse. Sabe coisa de criança? Pois então. Eu morava ali, em Boa Viagem, Recife. Hoje, olhando pra trás, penso que o Brasil ainda tentava se acomodar em si mesmo - retomando com liberdade cultura, sonhos e festas.
E ela, Lia, cantava e mais do que isso - nos fazia darmos as mãos. E eu, menina, me metia no meio da roda. Tenho até hoje, fresca em minha mente, a imagem das pernas rodando e das mãos se levantando. Era uma folia que parecia um sonho.
Não sei dizer ao certo se a vi uma, duas, dez ou vinte vezes naquela mesma praça. Pode até ser que tenha sido uma vez só. Mas sei que tenho gravado em minha essência essa cantiga meio canto de sereia, meio canto de rainha, embalada pelo som das ondas do mar.
Quando olho para aquele dia, ali no centro de São Paulo, o tanto que eu tremia, a olhava e sorria - é que é coisa muito grandiosa ver alguém que sequer imagina o quanto cuidou de você na infância. Ter essa memória, agradecer olhando no olho, segurar nas suas mãos e me lembrar da menina que andava de pé descanço se enfiando no meio da ciranda de Lia.
* Hoje é seu aniversário - e eu te celebro, te saúdo e te agradeço!

dia 08 | 12.01.26
