
Pinhole em inglês quer dizer buraco de agulha. E é exatamente isso: uma câmera fotográfica que pode ser feita em qualquer compartimento, que tenha um furo de agulha, com um filme fotográfico que vira uma câmera fotográfica.
Mas não é sobre a câmera em si que eu vim aqui falar, deixar palavras registradas um um "papel" digital, para você que me lê. Eu quero falar sobre o hábito. Sim, isso mesmo.
Quando fizemos esse formato do blog pela primeira vez, há mais de 14 anos atrás, eu fotografava com câmera analógica uma certa contância, não existia o stories (sim, a gente viveu um dia sem isso!), a rede social ainda não dominava (totalmente) as nossas vidas. E se você está aqui, com interesse em ler esse blog, você provavelmente viveu tudo isso também.
Ao escolher essas fotos para esse post eu me perguntei: quais eram os meus hábitos? Eles mudaram? E o meu olhar? Ele mudou?
Isso me fez perceber o quão importante é parar por um instante no meio do caminho e resgatar tudo aquilo que nos move, que nos movimenta (e sim, eu sei que esse blog todo, os 361+5dias são sobre isso, mas hoje isso me atravessou de uma forma mais forte) - me fez refletir sobre como com o tempo e as demandas da vida, a gente vai deixando algumas coisas que são muito importantes para nós, para nossa essência, para nossa energia vital de lado. Qual o preço que a gente paga por isso?

Eu não sei. Mas as fotos que fiz do Rio de Janeiro com uma câmera pinhole, feita à mão, me trouxeram esse sentimento de resgate no meu coração. Resgate de um eu, de um respeito ao tempo - seja da obturação aberta para entrar a luz e capturar a imagem, seja tempo de revelar o filme, seja tempo do céu que me permitiu sair para fotografar no sol - de uma vida que pulsa em minhas veias.
E você? O que te faz pensar?
dia 38 | 11.02.26
